Não posso negar uma certa influência de Kurt Vonnegut em Santos Dumont Número 8 (principalmente por Matadouro 5, seu livro de 1969). Pensando um pouco mais sobre o assunto, chego à conclusão de que é bem possível que o trabalho de Vonnegut possa também ter sido influenciado pelas pesquisas dos doutores Bohm e Pribram (assistam Quem somos nós?). O físico David Bohm, que chegou a trabalhar com Einstein em Princeton, argumentava: "O passado está ativo no presente como um tipo de ordem implícita". Sua teoria contribuiu para a criação do modelo holonômico de funcionamento do cérebro do neurocientista Karl Pribram, de Standford.
Eis então, que a lemniscata se fecha: a visão do tempo tríbio (Gilberto Freyre também é referência) no romance Santos-Dumont Número 8, como no trecho "O que se originava no futuro atravessava inapelavelmente o presente, mergulhavainexoravelmente no passado e dele retornava imprevisível...", também recebe a influência dos dois cientistas (assim como dos questionamentos de Santo Agostinho a respeito do tempo). Tudo está interligado. No fundo, somos mesmo links ambulantes.
"No conceito enganoso dos calendários que se alimentam de fatiar o tempo", Vonnegot mergulhou no passado (para de lá sempre retornar imprevisível) na última quarta, 11 de abril de 2007.
À influência de Vonnegut, deixo aqui como homenagem (e agradecimento) um trecho do capítulo 1 do romance Santos-Dumont Número 8:
"Em poucos minutos, no conceito enganoso dos relógios que se alimentam do esvair-se das horas, contagem regressiva que é da morte, eu, Francisco Abayomi, literalmente desaparecerei bem diante dos olhos de Carolina e navegarei o fluxo, aquele que se origina no futuro, atravessa inapelavelmente o presente e mergulha inexoravelmente no passado. Assim, dessa forma, um destino deverá ser cumprido. Não posso ter certeza agora, mas acho que no momento certo pensarei, como outras tantas vezes já pensei, em voz alta, está bem, que se cumpra, então, o meu destino e que o número 8 seja escrito novamente… da mesma forma que esses sonhos que parecem não terminar nunca, pois outros antes de mim já os sonharam, e se agora os sonho, é bem certo que outros no futuro continuarão a sonhá-los em progressão, cada vez mais profundamente em sua abrangência, como a espiral logarítmica de uma concha de náutilo, ou de uma flor de girassol, uma seqüência de Fibonacci, tão freqüente em sua aparição na natureza assim como o número 8, o dois elevado ao cubo, a perspectiva de um número 23..."
PontoLit é um blog sobre literatura, tecnologia e respectivos (não necessariamente nesta ordem) impactos e implicações. Em breve, estaremos iniciando uma série de entrevistas com escritores para sabermos de que forma o componente tecnológico vem influenciando seus processos de criação. Aguardem.
Além de tudo, os pensamentos postos em papel não passam, em geral, de um vestígio deixado na areia por um passante: vê-se bem o caminho que ele tomou, mas para saber o que ele viu durante o caminho é preciso usar os próprios olhos. (Arthur Schopenhauer; Sobre a leitura e os livros; A arte de escrever.)
A partir de 20 de abril, um juri formado por 303 profissionais escolhidos entre professores universitários, críticos literários e jornalistas especializados das cinco regiões do Brasil, terá 30 dias para escolher os 50 finalistas que passam para a próxima etapa.
O nosso Santos-Dumont Número 8 é um dos 130 romances que concorrem ao prêmio (382 livros no total) e, independentemente do resultado final, já é uma honra (para este que apenas estréia) estar ao lado de escritores cujo trabalho admiro (Saramago, Lya Luft, João Ubaldo, Veríssimo, Lygia Bojunga, Lobo Antunes, o professor Garcia-Roza e Rubem Fonseca, apenas para citar alguns).
Foram aproximadamente 30 minutos de uma conversa bastante agradável, leve mesmo, com a simpática jornalista e escritora Heleninha Bortone do programa Espaço Arte da Rádio Nacional AM de Brasília na última terça, 27 de março. Conversamos sobre a biografia de Alberto Santos-Dumont e, principalmente, sobre o romance "Santos-Dumont Número 8". A entrevista está aqui em 6 partes.
Estudemos as coisas que já não existem. É necessário conhecê-las, ainda que não seja senão para as evitar. As contrafações do passado tomam nomes falsos e gostam de chamar-se o futuro. Esta alma do outro mundo, o passado, é atreita a falsificar o seu passaporte. Precatemo-nos contra o laço, desconfiemos dela. O passado tem um rosto, que é a superstição, e uma máscara, que é a hipocrisia. Denunciemos-lhe o rosto e arranquemos-lhe a máscara. (Victor Hugo; Os miseráveis.)
Por Cláudio Soares
Nota do autor: Esse conto é uma adaptação dos capítulos 97 e 98, originalmente publicados em Soares, Cláudio. Santos-Dumont Número 8. São Paulo: Universo dos Livros, 2006. O número de coincidências em relação ao número 23 é mesmo impressionante...
Nada me faltará. Até mesmo a mania que eu tenho de querer me surpreender, certamente, ainda vai me surpreender um dia. O que me faz ficar olhando para o espelho, não para me ver, mas para acompanhar sua aproximação? Disfarçando minha expectativa, guardando meu sorriso para sua mais próxima chegada? Mas, não seria preciso tal artifício ou subterfúgio, pois eu sinto sua presença no ar que respiro e me toca levemente a pele, levemente, de uma forma quase imperceptível, mística, como um número 23, aquele que está em todo lugar, sem que o percebamos.
Sei que me surpreendi ao notar a série de coincidências a respeito do número. Sei que percebi que existia uma espécie de cortina de fumaça que me desorientava, antes me levava a suposições erradas, porque incompletas. Sei que a seqüência ficou desordenada, talvez houvesse alguma coisa de (ah essa onipresente) superstição, um sentimento ou sensação estranha de que algo de ruim pudesse acontecer. Mas com que intenção? Com que propósito? A necessidade era evitar o próximo número da seqüência das 22 invenções aeronáuticas? O vigésimo terceiro? Sei que não sabia. Mas o que teria demais o número 23? Ora quase tudo o que eu e você quisermos ou não quisermos acreditar...
Me sinto incomodado, profundamente incomodado, com essa obrigação de realidade que as ficções dos últimos tempos (não vou especificar quanto tempo de propósito...) vêm seguindo (e sendo perseguidas) fixamente. Porque essa necessidade de limitar a imaginação? Droga mesmo, sei que não é nada disso que me preocupa, enquanto estou curvado sobre o caderno descrevendo as sensações que me alimentam neste espaço e tempo limitado pela mesa 82 e pouco me importando com esses tipos de questionamentos semiológicos: a única coisa que realmente me importa é encontrá-la... a resposta. Será que a encontraria? Essa espécie de maga: a minha. Continuaremos, depois, a jogar essa partida esquisita e estranha?
Mais tarde eu percebi que o mais óbvio havia me passado desapercebido. O óbvio somava cinco. Em todos os sentidos. Como uma lei dos 5 (tudo que existe de eventos, símbolos e outras coisas mais na face da terra tende ao número 5). Desde o acidente de 8 de agosto de 1901, toda a atenção acabou sendo dada, erroneamente, ao evento e não ao objeto desse evento: o Santos-Dumont Número 5, que quase matou Santos-Dumont. Registrou-se a data, 8 de agosto, que já é um dia esquisito, em um mês mais esquisito ainda, e que não goza de muita simpatia por parte dos brasileiros (mês do cachorro louco. Quando o mês tem uma sexta-feira 13 então, podem acreditar, é sinônimo de demissão em massa...) Minha doce Carolina sabia, mas não contava, algumas coisas que ela através de sua intuição feminina já percebera desde muito cedo: O 5 também poderia nascer de um 23...
Pois então, que agora, entre o número 23...
Eu sempre tive uma certa desconfiança a respeito do numero (conheço muita gente que também a tem). Porém, nunca tive uma razão lógica para me sentir deste modo em relação ao número. Apesar de sempre ter tido uma impressão de que ele se repetia em certas situações de minha vida (mais do que o necessário). Certo dia, porém, escutei a expressão O Enigma 23. Existe uma superstição (mais uma delas) que se propagaram pelo globo terrestre, a respeito das possíveis características sinistras (coincidências misteriosas para quem consiga vê-las, claro) deste número.
Quando começava a escrever o livro e relacionava cronologicamente os eventos mais importantes da vida de Alberto Santos-Dumont obviamente não deixei de relacionar o 23 de março de 1898, o 23 de outubro de 1906 e o 23 de julho de 1932. Não que essas datas tenham o significado de desgraça, mas foram de fato datas importantes na cronologia de Alberto. A primeira ascensão, conquista da Taça Archdeacon e a morte.
“Sabe Abayomi, essa conexão do número com acidentes, e outras catástrofes pode ter uma relação com o hexagrama 23 do I Ching, a Desintegração... É bem possível, sabe? Apesar de certos números há muito estarem relacionados a coincidências não usuais, como é o caso dos números 13 e 17, o caso do 23 é considerado por muitos uma espécie de Apofenia (*).”
“Apofenia? Do que isso se trata, Carolina?”
“Apofenia é um termo que foi cunhado pelo professor doutor Klaus Conrad em 1958. Trata-se de uma percepção espontânea de conexões e significância de fenômenos que não possuem relação entre si. Escritores então são muito propensos a esse tipo de percepção, sabe Abayomi?, pois costumam ter uma propensão de ver esses tipos de conexões, que aparentemente não têm relação entre si, o tempo todo... é o que mais assemelha a psicose com a criatividade... Na verdade, a apofenia e a criatividade podem até ser vistas como dois lados de uma mesma moeda...”
“Você está dizendo isso só para me provocar, não é Carolina?”
“Claro. Mas fique tranqüilo que você não está só. Algumas das pessoas mais criativas do mundo então devem ser os psicanalistas e terapeutas que usam testes projetivos como o teste de Rorschach...”
***
Essa série de sincronicidades, intuições, coincidências envolve em uma lista de situações relacionadas ao número 23, veja alguns exemplo (de como passar o tempo)...
O ciclo Físico tem a duração de 23 dias, e regula nossa resistência às doenças, força, coordenação motora, velocidade, desempenho sexual, etc. nos dias críticos fisicamente, estamos mais propensos (e não pré-determinados, isso é muito importante) a nos sentir cansados, a sofrer acidentes ou adoecer com mais facilidade.
Em 23 segundos para o sangue circular por todo o corpo.
Cada pai e mãe contribui com 23 cromossomos para o DNA de seus filhos (nos humanos o vigésimo terceiro cromossomo é o que determina o sexo).
O período de rotação da Terra (dia sideral) é na verdade 23 horas e 56 minutos.
A primeira aterrissagem na lua, Apollo 11, foi no Mar da Tranqüilidade, a 23.63 graus leste. A segunda, Apollo 12, foi no Oceano das Tempestades, 23.42 graus Oeste. Somando, 11 + 12, o número das missões, resulta em 23. (Vemos o que queremos ver...)
23 de dezembro de 2012 é a data final no calendário Maia o que deve indicar um evento apocalíptico...
Tanto os calendários antigos dos egípcios e dos sumérios iniciavam no dia 23 Julho.
Santos-Dumont fez sua primeira ascensão em um 23 de março de 1898, na tarde de 23 de outubro de 1906, desafiou os deuses e quebrou o encanto que prendia os pés do homem à terra e... se suicidou em 23 de julho de 1932.
A certidão de óbito de Santos-Dumont ficou sumida por 23 anos.
William Shakespeare nasceu em 23 de abril e morreu em 23 de abril (de anos diferentes claro). Sua primeira peça (Titus Andronicus) foi encenada em 23 de janeiro de 1594. (não estou muito certo...)
Comemoramos o dia de São Jorge em 23 de abril (de uns anos para cá, é feriado no Rio de Janeiro...)
Os Cavaleiros Templários tiveram 23 Grandes Mestres, o último foi Jacques de Molay.
Se adicionarmos todos os dígitos de 11/9/2001 obtemos 23 (quer dizer, considerando que adicionemos o 11 como 11 exatamente).
O Michael Jordan usava (e o David Beckham usa) uniforme de número 23. Pelé também nasceu em um dia 23 (de outubro).
A letra W é a vigésima terceira, possui 3 pontos superiores e dois inferiores (23 de novo, quer dizer 32, mas para os nossos propósitos a gente inverte)...
Os primeiros dígitos do Pi (3.14159) somam 23.
666, dizem, foi obtido da divisão 2/3 = 0.666.
Em computadores com sistema operacional Microsoft Windows, uma quebra de linha é armazenada como códigos ASCII 13 e 10. No Linux e no Unix, uma quebra de linha é armazenada como código ASCII 10. Em telegrafia, a quebra de linha era transmitida como um número 23.
Já escutou falar de um conto intitulado O Enigma 23?
Circunstâncias não usuais ligadas ao número 23 foram mencionadas pelo escritor William S. Burroughs, que devia adorar (ou detestar) o número...
Os Salmos, o maior livro da Bíblia, é o vigésimo terceiro livro do Velho Testamento. E “O Senhor é o meu pastor, nada me faltará” é o vigésimo terceiro salmo.
A primeira transmissão de código Morse foi uma passagem da Bíblia, a de números 23:23, vai lá e veja qual foi...
Na manhã de 23 de outubro de 4004 A.C., segundo o bispo irlandês James Ussher (1581-1656), Deus criou o mundo e...
Hoje, por acaso, é um dia 23 de março e...
O próximo capítulo é o...
(*) Nas estatísticas, a apofenia é chamada de um Erro do tipo I, ou seja, enxergar padrões onde na verdade, não existe nenhum. É altamente provável que a significância aparente de muitas experiências e fenômenos incomuns seja devida à apofenia, por exemplo, numerologias, códigos da Bíblia, cognição anômala, a maioria das formas de adivinhação, profecias de Nostradamus, visão remota, e vários outros fenômenos e experiências paranormais e sobrenaturais.
Olá pessoal, estamos em 29 de janeiro de 2007 e neste momento são 18:11h de uma noite quente aqui no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro, Brasil.
Que esteja devidamente inaugurada A Última Biblioteca! Um espaço para quem deseja "dialogar" Literatura. Talvez, até um pouco mais: um espaço para aqueles que desejam dialogar sobre o impacto da internet no mundo da Literatura.
Apesar de estarmos em permanente construção, algumas áreas importantes do site já estão funcionando. Uma das mais interessantes (não deixe de dar uma olhada lá) é a seção Vídeos de Literatura. Para começar, linkamos 2 entrevistas (históricas) dos argentinos José Luis Borges e Julio Cortázar, além de vídeos sobre dois mestres americanos do terror: Edgar Alan Poe e H. P. Lovecraft.
O romance "Santos-Dumont número 8" está listado no relatório final de atividades da Comissão Interministerial para as Comemorações do Centenário do Vôo do 14-Bis (Ministério da Defesa) como uma das "outras boas iniciativas surgiram, muitas independentemente da ação da Com14bis, e foram incorporadas às comemorações".
Foi um trabalho árduo de 3 anos de pesquisa (inteiramente custeado pelo autor, diga-se de passagem) para escrever o romance, mas valeu à pena. Aqui, aproveito para ratificar um agradecimento especial à editora Universo dos Livros que acreditou no meu romance. Hoje, o "SD8" é distribuído em todo o país graças ao trabalho do Luis Matos, meu editor, e sua competente equipe.
Acredito que além do intuito de divertir os leitores e tentar incentivar, cada vez mais, a leitura de obras brasileiras, o livro "Santos-Dumont número 8" venha a ficar, para a posteridade, como uma homenagem (ainda que modesta) à memória do grande brasileiro que foi Alberto Santos-Dumont.
Resumindo: tentei fazer a minha parte. Uma parte de 464 páginas! :-)
O ANEXO 7 do relatório expõe - além da referência ao lançamento do "SD8" na Biblioteca Rodolfo Garcia da Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro - cerca de 230 diferentes tipos de eventos ocorridos relacionados ao centenário do 14-Bis.
Comemorando o seu 1º aniversário, a Biblioteca Rodolfo Garcia da Academia Brasileira de Letras e a PETROBRÁS, com a iniciativa de premiar a Produção Intelectual Brasileira, lançam o Prêmio Afrânio Coutinho.
Poderão concorrer alunos e professores da área de ciências humanas, jornalistas, pesquisadores e usuários que tenham sido previamente inscritos na Biblioteca. Serão premiados os três melhores trabalhos: o primeiro colocado receberá R$ 8.000,00, o segundo R$ 5.000,00 e o terceiro R$ 3.000,00.
O tema do concurso é "Diálogos com a Coleção Franklin de Oliveira" com a linha de pesquisa "O estado da Cultura no Brasil no período de 1945 a 1965 retratado na Coleção Franklin de Oliveira". Inscrições e mais informações no site da ABL (www.academia.org.br) e na Biblioteca Rodolfo Garcia, Avenida Presidente Wilson, 231, 2º andar (Palácio Austregésilo de Athayde) – Castelo – Rio de Janeiro – RJ, Tel. (21) 3974-2506 ou 3974 2541, e-mail brg.divulgacao@academia.org.br
Já comentei por aqui que existem alguns enigmas espalhados pelo romance.
Um deles diz respeito ao oitavo capítulo do livro.
Quem já teve a oportunidade de iniciar a leitura hipertextual do Santos-Dumont Número 8 deve realmente ter ficado meio desconfiado com o Capítulo 8.
O que é efetivamente o Capítulo 8 em um romance sobre superstições a respeito do (suposto?) mau agouro do número 8?
Qual é a sua opinião?
Mas, antes de tentar responder, não se esqueça: a História é uma lemniscata de todos nós!
Imagem: Möbius strip II de Maurits Cornelis Escher (17/06/1898 - 27/03/1972), artista gráfico alemão, baseado na Möbius strip (Tira de Möbius), conceito criado pelo matemático também alemão August Ferdinand Möbius (17/11/1790 - 26/09/1868).
O Santos-Dumont Número 8 também chegou à Livraria Nobel!
Fundada em São Paulo no ano de 1943 e Trabalhando com sistemas de franquia desde 1992, a Nobel é hoje a maior rede de livrarias do Brasil com mais de 150 franquias distribuídas pelo mundo.
Um ótimo Natal para todos vocês! E um 2007 pleno de paz, amor, saúde e realizações pessoais e profissionais!
A todos vocês que, de uma forma ou de outra, compartilharam (e compartilham) comigo momentos na realização desse projeto, algumas novidades sobre o "Santos-Dumont Número 8".
Depois do lançamento oficial no último16/10 na ABL e sua entrada no acervo da "Casa de Machado de Assis", o SD8, está neste mês de dezembro na livraria carioca Letras & Expressões, na revista ALMANAQUE da Livraria Saraiva (estamos na página 21), no catálogo da FNAC e em praticamente todas as grandes livrarias do país. Ajudem a divulgar! Antecipadamente, o meu muito obrigado!
Foto: Santos Dumont Número 8 é novidade do mês na Saraiva!!!
Pela internet, o SD8 pode ser comprado nos seguintes sites:
O SD8 avança nessa integração com o bidirecionalidade da internet oferecendo a possibilidade de ser lido de várias maneiras. Duas delas são as mais visíveis: uma seqüencial (para os mais apressados :-) e outra hipertextual (seguindo-se os links). Existem também alguns "enigmas" distribuidos no livro. É bidirecional e lúdico.
O SD8 é também uma grande homenagem a escritores e leitores, já que conta a história de como o estudante de História Francisco Abayomi, ao ler livros, faz com que suas histórias aconteçam novamente.
Grande parte das cenas têm como pano de fundo cartões postais do Rio e principalmente a Biblioteca Nacional: "o lugar onde os tempos se encontram".
Todos estes aí em cima estão no Santos-Dumont número 8: como personagens, referências, de todas as formas, em todos os sentidos.
Alguns, como por exemplo Lautrec (1) e Hetzel (5), inspiraram até a capa desse romance. Alguns, de forma até curiosa: Cézanne (6) morreu 1 dia antes do vôo de 23/10/1906, oo seja, era manchete nos jornais no dia em que Santos-Dumont faz o vôo histórico que lhe valeria o Prêmio Archdeacon.
Existem outros que não aparecem nessas fotos (Joaquim Maria Machado de Assis, por exemplo). Que tal dar uma olhada lá nas páginas do SD8? Uma boa leitura e (através dela) uma boa viagem!
1. Henri de Toulouse-Lautrec (24/11/1864 - 9/9/1901) . Pintor francês.
Recebi a grata notícia de que o Santos-Dumont número 8 já pode ser encontrado também na Livraria Letras & Expressões: A MAIS CARIOCA DAS LIVRARIAS! Vamos ver se para janeiro ou fevereiro nós conseguimos marcar algum evento com os clientes das filiais de Ipanema e do Leblon. Será um grande prazer. Um forte abraço aos amigos da Letras & Expressões!
Aqui, a História por trás da história: O capítulo 2 do Santos-Dumont número 8 tem início com uma citação musical. A canção é Please, Mister Postman. Um dos primeiros sucessos dos Beatles (do álbum With the Beatles, o segundo do quarteto de Liverpool).
Porém, o que talvez nem todo mundo saiba é que a canção foi lançada originalmente pelas Marvelettes (no vídeo aí de cima) em 1961, pelo selo Tamla da Motown. Essa gravação foi a primeira, da Motown, a atingir o primeiro lugar da parada da Billboard. Isso faz parte da História.
Mas, como e por que essa música foi parar no Santos-Dumont Número 8? Bom, aqui começar uma outra (não tão longa) história.
Sem dúvida, o Santos-Dumont Número 8 é um livro “musical” (tem até um capítulo-canção, não é?) e faz todo o sentido ter referências musicais espalhadas na sua trama.
Aconteceu que certo dia, estava eu finalizando alguns capítulos (na verdade revisando-os e colocando-os em ordem), lá na Biblioteca Rodolfo Garcia - isso já perto da entrega dos originais para a editora - quando, para descansar um pouco “as idéias”, resolvi escutar um pouco de música: apontei o browser para a rádio UOL e fiquei navegando os canais. Em um deles (o canal de Black Music) encontrei uma música “maneira”: "What's going on", na voz do Marvin Gaye. Resolvi então ficar por ali mesmo.
Musica vai, musica vem, eis que (várias músicas depois) no momento em que revisava o trecho do escritor que buscava se reaproximar de um amor de sua juventude - distante 30 anos, enquanto ele, o escritor, se encontrava distante mais 30 de seus sonhos, como está escrito no livro - começa a soar o vozeirão de Gladys Horton e os backings das Marvelettes: Wait! Oh yes wait a minute mister postman...
Eu já havia definido que aquele fragmento de diário do escritor teria sido escrito no final da década de 60, para ser mais exato em um dos meses de maio que vivemos mais intensamente, como está escrito na ficção: o mês de maio de 1968. Achei que a música remetia à situação e principalmente à intenção do escritor: era uma tentativa de comunicação com alguém tão distante (uma distância medida pelo tempo).
A aproximação seria através de uma viagem no tempo pela música e pelas lembranças que ela suscitassem no escritor.
Desta forma a Please, Mister Postman foi parar no Santos-Dumont número 8. Mais como música ambiente (uma impossível máquina do tempo?), do que como citação.
Por isso, acho que o ideal mesmo - é o que sugiro a vocês - seria a leitura do fragmento de diário do escritor Souza-Soares ao som de Please, Mister Postman. Eu prefiro a versão dos The Beatles (achei que combinou melhor) mas pode ser também com as Marvelettes (fica muito bom também, e talvez até mais justo, já que elas gravaram primeiro).
E tem também essa outra versão mais recente (e rápida, mas com o mesmo efeito reverb) com a Gladys Horton.
Outras músicas aparecem como luzes trêmulas iluminando parcamente esse labirínticoSantos-Dumont número 8: o percurso pode parecer intrincado, intencionalmente desorientador, mas a diversão é garantida. A próxima canção que comentarei aqui (sobre como ela foi parar no romance) é Sweet Caroline. Em breve.
Sem saber que sua vida corre perigo, Abayomi, estudante de História, analisa um diário de Santos-Dumont encontrado na Biblioteca Nacional. Supostamente destruído em 1914, o manuscrito traz detalhes inéditos sobre a invenção que biógrafos afirmam não ter existido devido à superstição originada no acidente sofrido pelo aeronauta em 08/08/1901. Tudo leva a crer que o “Santos-Dumont número 8” seria o primeiro avião, criado e testado entre 1901 e 1902, estranhamente silenciado após uma viagem do inventor aos EUA. Uma aventura de mistério e suspense que se origina no futuro, atravessa o presente, mergulha no passado e dele retorna imprevisível com um enigma a ser decifrado, uma maldição a ser destruída e um destino a ser cumprido. A Belle Époque, a primeira guerra mundial, a tecnologia do século XXI que aproxima e distancia, a iminência de um ataque terrorista no Brasil e uma rede de intrigas, tudo mostra que a História é mesmo uma lemniscata, sem inicio e sem fim. “Santos-Dumont número 8”, um romance de Cláudio Soares, é um livro que pode ser lido de várias formas, inclusive a hipertextual, basta seguir os links ao final de cada capítulo. Afinal, qual das faces dessa história será a verdadeira? A escolha é sua. Mas, primeiro responda: você é supersticioso?
Que toda história tem um começo, um meio e um fim pode ser certo... ou quase certo...
Algumas pessoas me comentam terem ficado surpresas com o início (estonteante) do romance Santos-Dumont Número 8. Isso é bom. A intenção era essa mesmo: aqui entramos em uma outra dimensão, a turbulência da passagem é mesmo necessária. Depois, aceitando o pacto proposto a tendência é que se siga um fluxo, ou fluxos, não menos estonteantes, de sentido e direção opostos. Mas, afinal de contas, não é para isso que serve a História?
A seguir, dou algumas explicações sobre o início do romance. Vamos lá:
A passagem pelo portal, o início do mergulho - aquele que de certa forma já esboça o que vem avassaladoramente a seguir - já está na primeira citação. Além de representar o tom meio transcedental da História, olhem só que coincidência interessante:
Ó Senhor, Senhor nosso, quão magnífico em toda a terra é o teu nome! Pois expuseste nos céus a tua majestade. (Salmo 8)
Exposta nos céus a Sua majestade, a pergunta que não quer se calar (e por todo o romance se faz presente), afinal, Toda História tem realmente um começo, um meio e um fim? Isso pode ser quase certo. Por isso, para iniciar o romance, eu escolhi uma palavra não muito comum mas que, no fundo, todos conheceremos por sua representação simbólica.
A idéia do hipertexto ligando palavras, símbolos, livros, autores, histórias, mistérios, já se resume na palavra LEMNISCATA.
Lemniscata é uma curva matemática descrita pela primeira vez em 1694 por Jakob Bernoulli como a modificação de uma elipse, uma outra curva que é formada por pontos cuja soma das distâncias até outros dois pontos focais fixos é constante (na lemniscata, o produto dessas distâncias é constante).
A lemniscata de Bernoulli é um caso especial da oval de Cassini.
O símbolo matemático de infinito tem a forma muito aproximada de uma lemniscata e foi descrita pela primeira vez pelo matemátio inglês John Wallis em 1655, ou seja, quase 40 anos antes de Bernoulli.
O que seria a História então? Nada mais do que uma lemniscata. A seguir o texto da primeira página do Santos-Dumont Número 8:
Lemniscata… Uma lemniscata de si mesma, assim é a História. Tão curvilínea e distorcida quanto aquela de Jakob Bernoulli. Tão sinuosa, sibilante e sensual quanto o símbolo infinito de John Wallis. Um número 8 deitado. Uma tira de Möbius esquisita e conveniente em sua constante transformação em si mesma. Então, se é assim, que assim mesmo o seja, a História, essa lemniscata de todos nós. Esse insistente “navegar-se”, permanente e necessário, esse eterno recomeço, progressão e regressão ininterruptas, contínuo e inevitável retorno das su-pers-ti-ções… Sabe por quê? Muito simples. Porque assim é a História e é para isso que ela serve… ou pelo menos quase… Biblioteca Nacional. Sala Celso Cunha. Divisão de Manuscritos. Segunda-feira, 29 de setembro de 2008. — Por que você resolveu abrir este livro? O que te deu na cabeça, hein?! Você não sabe que isso pode te fazer muito mal à saúde? Carolina Veríssimo não podia deixar de expressar um misto de angústia e preocupada reprovação com aquele verdadeiro bombardeio de perguntas. — Mas, meu Deus, é apenas um livro. O que isso pode ter de mais? Justificativas, Francisco Abayomi as buscava no mais óbvio, porém, nem tanto… — O que isso pode ter de mais?! Muita coisa, caramba! Ah, Abayomi, certas vezes, você me parece tão sem noção…
É possível, provável e justo que Carolina estivesse certa e que as coisas não fossem assim tão simples, como parecia querer fazer crer Francisco Abayomi. Afinal de contas, existiam as experiências e também os frutos, ainda mais estranhos, delas. O problema não estaria nos acontecimentos em si, mas no que poderia advir de tais acontecimentos, já que dentro da cabeça de Abayomi os tempos se encontravam e, juntos, eram capazes de promover rememorações do passado e, por mais incrível que parecesse, do presente e até do futuro. O que se originava no futuro atravessava inapelavelmente o presente, mergulhava inexoravelmente no passado e dele retornava, imprevisível como as pessoas, imprevisível como certos dias, aqueles que pareciam não querer terminar nunca mais… como uma lemniscata…
C. Soares é autor do romance “Santos-Dumont Número 8”. Venceu um importante concurso literário em 2004, o que possibilitou a sua participação na coletânea trilíngüe “Escrevendo a paz / Writing peace / En écrivant la paix” publicada pela UNESCO. Escreve regularmente para os blogs "Santos-Dumont Número 8" e "A Última Biblioteca". Prepara atualmente mais um romance e um livro de contos. C. Soares também é analista de sistemas com experiência internacional e desenvolve sistemas para a internet com ênfase em gestão de conteúdo e ferramentas de busca.